Uns melhores e outros piores
Eu desenho 1 hora todos os dias. Muitas vezes estou a fazer uma actividade que acaba por se tornar banal, mas por causa do hábito, eu persisto e continuo a desenhar.
Há dias que não estou com grande motivação, e isso reflecte-se naquilo que eu estou a desenhar, o que pode ser qualquer coisa. Fora as comissões e os retratos, eu não tenho nenhum tema em particular a partir do qual eu vou escrever.
E depois há outros dias em que me sinto inspirado e noto uma melhoria na qualidade dos desenhos e do tema. Eu disse que não tenho nenhum tema específico, bem, não tenho, mas normalmente costumo desenhar mais o corpo humano, personagens em várias poses.
Hoje foi um dia neutral. Nem estava motivado nem desmotivado, mas quando comecei a desenhar reparei que estava a desenhar uma boa composição no papel, e acabei por ficar motivado pelos simples facto de me ter apercebido que o desenho estava a sair bem.
Há outras alturas em que, por algum motivo, aconteceu algo ou está para acontecer algo na nossa vida. Não é razão para parar de desenhar, a menos que seja uma emergência, aí assim, pára tudo. Caso contrário, só nos estamos a enganar a nós próprios quando arranjamos desculpas para não fazer isto, ou não fazer aquilo. É mais fácil estar a jogar computador ou a ver televisão do que focado a desenhar. Nada se consegue sem trabalho.
Portanto não desmotivem. Continuem com a vossa prática diária, ou com a prática mais frequente ou horas que conseguirem incluir, porque vai haver dias… e vai haver dias.
Com prática dedicada… sim
Esta é a minha resposta à pergunta acima.
Qualquer pessoa, não tendo defeitos físicos ou mentais que a impeçam de agarrar e manter um objecto desenhador (ex. lápis) na mão e possuindo uma percepção básica mental, consegue desenhar. Agora a qualidade desse desenho já pode ser discutível.
Conversa derrotista não leva a lado nenhum. “Ah e tal eu não sei desenhar”. Também um médico antes de tirar o seu curso não sabia analisar o estado dum paciente através dos seus sintomas, ou um pedreiro não sabia fazer um muro antes de ser ensinado, e por aí fora.
Talvez algumas pessoas tenham alguma predisposição genética para serem um pouco melhores a fazer certas coisas, mas ninguém nasce ensinado. O Michael Jordan já era alto, e ele treinou muito para ser um dos melhores do mundo e será para sempre recordado no Hall of Fame do basquetebol. E no entanto, há muitas pessoas altas por aí. Ainda mais altas do que o Michael Jordan (mais de 2 metros), e não é por isso que eles são melhores do que ele, ou que sequer vão ser lembrados.
Ao princípio somos todos maus. Ao praticar, e desenhar, ao longo das semanas e meses, vamos ficando melhores e podemos olhar para trás e avaliar o nosso progresso pelos desenhos dos primeiros dias da nossa prática, em comparação com o material mais recente que produzimos. É assim a evolução de muitos artistas e o sentimento de curiosidade e felicidade que sentem ao perceber o seu próprio progresso, e até onde conseguiram chegar.
É claro que nada disto se consegue sem prática. Para as pessoas que pensam “qualquer dia vou começar”, isso é mais um pensamento de procrastinação, que quer dizer um adiamento de qualquer coisa. Um aspirante a artista tem de se mentalizar que se é para começar, é para continuar, e é para assim o fazer de uma maneira constante, e desenhar todos os dias. Só assim é que se conseguem resultados. Imagine se os jogadores de futebol ou outros atletas dissessem para os seus treinadores que nos próximos dias não iam treinar. Então como é que vão manter a forma? Ou melhorar?
Daí ser importante um bom mindset, termos uma perspectiva trabalhadora, estarmos motivados e cumprirmos aquilo a que nos propormos. Uma boa maneira de começar a desenhar é simplesmente desenhar em folhas de máquina/escrever ou em qualquer sketchbook. O tema do desenho pode ser qualquer coisa, e pode ser feito a partir da nossa imaginação, em casa, ou a partir da vida real ou fotografias, no, parque, no zoo, perto duma igreja, etc..
Portanto quem quer ser melhor, é melhor começar a praticar. E isto aplica-se em muitas outras áreas da nossa vida. Pratique para não ser “mais um”, e sim “qualquer um”.