Desenho e presença

by João

Ser mais presente no desenho

Esta é uma teoria interessante que eu li num fórum, e a teoria é basicamente desenhar para estarmos mais presentes, para ter mais presença.

Ter mais presença, como conceito, depende da interpretação de cada um do que é estar mais presente. Para muitos estar mais presente não é necessáriamente estar alerta e sim prestar mais atenção a nós próprios e aos outros, duma maneira serena. Eu sei que parece que estar alerta e prestar mais atenção são muito parecidos, mas estar mais presente é uma maneira de prestar atenção a nós mesmos e aos outros e ao que nos rodeia duma maneira relativamente calma e serena.

Estar mais presente também pode significar estarmos em contacto com uma espécie de consciência geral, da matéria e da substância de que somos todos feitos e que somos todos um. Isto já é um bocado palco para as conversas dos Gurus da Índia, ainda assim é o que estar presente significa para alguns.

Quando eu desenho, eu não estou necessáriamente mais presente, aquilo que eu noto é que posso entrar numa espécie de trance, em que deixo de notar sons e outras coisas à minha volta. Não num sentido absurdo, do tipo, havia um terramoto (bater na madeira 3 vezes) e eu continuava a desenhar, não, não é isso, porque qualquer problema à nossa integridade física iria activar o nosso instinto de sobrevivência e iríamos fácilmente sair de qualquer trance.

Quando eu digo trance eu refiro-me a tudo, não quero dizer só hipnose. E já agora, uma pessoa hipnotizada está em completo controlo de si mesma. Aquelas pessoas que vemos na televisão a serem sujeitas aos hipnotizadores de palco, são pessoas que fazem aquilo de livre vontade, são pessoas que querem sair à sua rotina e vida normal e que se querem comportar duma maneira que normalmente não se comportam. Só o simples facto de terem aceite o convite dum hipnotista de palco já significa que estão dispostos a dar espectáculo e estão receptivos às ordens.

Trance pode ser muita coisa. Entramos em trance enquanto conduzimos de carro, ou vamos de autocarro ou de outro transporte ou caminho qualquer que fáçamos duma maneira frequente. Entramos em trance ao ver televisão, etc, etc. E já agora, estar em trance não significa que estamos com os olhos fechados ou que parecemos uns tontinhos, não, estar em trance apenas pode querer dizer que estamos a fazer uma determinada actividade. No exemplo do carro, muitas vezes eu vou a conduzir e quando dou por mim penso “já conduzi até aqui?”.

Eu desenho todos os dias, e além do facto de eu entrar em trance algumas vezes enquanto desenho, ou os retratos ou seja o que for, eu não costumo estar mais presente, ou pelo menos não encaro isso como estando mais presente, ou sentir-me enlightened, ou esclarecido, ou um erudito por causa disso.

Por outro lado, isso não quer dizer que não possa ser uma boa actividade. Para muitas pessoas, mesmo que não tenham muita perícia técnica, desenhar e pintar é uma actividade relaxante. Secalhar para mim também é relaxante, eu é que já desenho há tanto tempo que provavelmente já me esqueci do quão relaxante é e já se tornou banal.

Experimentem, talvez para vocês desenhar até pode ser um exercício relaxante que vos pode dar mais presença de espírito e talvez até alguns benefícios que estão associados com a meditação.

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