Praticar o desenho e viver a vida

by João

Desenhar e viver

Eu desenho 1 hora todos os dias. A prática é uma coisa muito importante, se queremos ser bons a fazer uma coisa, temos de saber fazê-la muita vez. Um jogador de futebol teve de praticar muito, desde pequeno, em criança, passando pela adolescência, até à idade adulta. Os melhores jogadores de futebol começaram assim, investindo milhares e milhares de horas de prática no seu campo de experiência favorito.

Isto faz-me lembrar os livros Outliers e The Tipping Point, ambos de Malcom Gladwell. Eu não li os livros, eu ouvi-os em formato audiobook, porque assim posso estar a desenhar ou a conduzir enquanto vou a ouvir. Um audiobook é um livro, mas em formato áudio, em vez de visual. Assim posso estar a aproveitar o meu tempo a aprender enquanto estou a fazer outras coisas. Eu cheguei a falar nisto noutro post meu, Desenhar com música.

No(s) livro(s) Gladwell fala em como, para atingirmos nível de expert em determinado assunto, categoria, desporto, ou profissão, devemos ter 10 000 (dez mil) horas de prática nisso em que estamos ou queremos estar envolvidos.

Isto faz sentido. Ele chega a dar o exemplo dos tocadores de orquestra e a diferença entre os amadores e os profissionais. Os tocadores de orquestra profissionais, em grandes companhias, treinavam, enquanto eram mais pequenos e andavam na escola, 25 a 30 horas por semana, enquanto os amadores, treinavam/tocavam 10 horas por semana, se isso. É fácil chegar à conclusão que o talento é uma coisa sobrevalorizada, é mais à base do tempo que nós investimos em nós próprios e na actividade em que estamos a ficar melhores.

Portanto faz sentido que pratiquemos. É preciso praticar, no entanto, também é preciso viver a nossa vida. Não devemos chegar ao ponto em que só queremos ou pensamos que “devemos” fazer certa coisa ou actividade, só porque os outros pensam que o devemos fazer, ou porque nós pensamos que temos a obrigação de assim o fazer.

Faz-me lembrar um colega meu que andava num ginásio. Ele ia todos os dias ao ginásio, de segunda a sábado. Eu imagino que se o ginásio estivesse aberto ao domingo que ele também lá ia. Mais tarde li um artigo em como se falava muito na anorexia feminina, e em como as mulheres deixavam de comer, e nesse artigo vinha uma análise em como uma nova “doença” emergente estava a atacar os homens, que era a mania do ginásio e do exercício, em como eles queriam ir todos os dias ao ginásio para ganhar ou manter o cabedal que eles têem.

A propósito disto, um amigo meu disse-me que, no trabalho dele, há um homem, casado, com duas filhas, que não foi de férias com a mulher e as filhas. Quando o meu amigo lhe perguntou porquê, ele disse, “pois, mas e o ginásio…?”. Isto ilustra bem este ponto, este homem não queria ir de férias com a mulher e as filhas para ficar e continuar aquelas 2 semanas (ou mais) no ginásio.

Eu acho que é bom ter um passatempo, praticar alguma coisa, investir o nosso tempo numa perícia técnica à nossa escolha. Acho isso tudo muito bem, desde que não interfira com a nossa saúde mental, ou com a nossa vida, porque ao fim ao cabo, todos nós um dia vamos fechar os olhos e ir embora, e nada disto vai fazer diferença. Mais vale aproveitar enquanto pudermos.

  • Holvem

    Porque você citou Gladwell eu irei adicionar seu web-site nós favoritos.

  • Holvem

    *nos

  • http://retratex.com/retrato João dos retratos no Retratex

    Obrigado Holvem

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